domingo, 1 de novembro de 2009

O SUBVERSIVO DE JOÃO PESSOA


Ele sempre seguiu todas as regras.Profissional dedicado,cumpridor de horários e, principalmente,confiável.Jornalista a vida inteira.Editor das matérias mais delicadas do jornal.
Podia até errar,mas cumpria sempre as orientações,mesmo que às vezes,discordasse delas.
Mas aí chegou a aposentadoria.Primeira rebeldia.Mas por que parar,tão novo....Vai se dar mal,vai querer voltar a trabalhar.Mas ele decidiu parar porquê sim,porquê queria outra vida.
O nordestino que veio para São Paulo em busca do sucesso profissional decidiu fazer o caminho de volta.Em João Pessoa o subversivo começou a aparecer....
Em primeiro lugar ,nada de trabalho.O trabalhador pontual deu lugar a um admirador da preguiça que como ele mesmo gosta de frisar ,deve ser aproveitada com vagar.Foi só a primeira rebeldia.
O jornalista controlado pelo horário abdicou do relógio que só reapareceu depois da insistência do filho.Telefone celular,nem pensar.Internet mantida à distância.No jornal antes lido com ansiedade agora as páginas mais importantes são aquelas que falam dos aposentados.
Ele se permite até pequenas contravenções.No lugar de alugar filmes de DVD na locadora não resiste as ofertas do pirata da esquina.Atividade regular só mesmo no jardim em frente do apartamento.Jardim ,que fique bem claro,não pertence ao jornalista aposentado.Terreno devoluto
está sendo ocupado pelos instintos sem terra do editor que tantas vezes montou matérias denunciando as invasões.Para marcar espaço ele está plantando coqueiros,diariamente regados.
A subversão faz bem melhor pra saúde que a subserviência.Os quilos extras foram embora,as taxas de colesterol caíram,mesmo comendo costelinhas de porco,lagosta, camarão e aquele vinhozinho,afinal ninguém é de ferro.
Ele não é um revolucionário.Não quer mudar toda sociedade até porquê está tudo bem,agora.
Ele apenas quer viver sem se preocupar em ser politicamente correto.Quer aproveitar pra fazer o que tem vontade.Quer curtir o sol de João Pessoa saudável.Ainda bem que deu tempo.

Um comentário:

  1. Caro Sergio

    Cléo Medeiros é um mestre em juntar palavras.

    Um dos mais brilhantes jornalistas com quem tive o prazer de conviver face a face nestes meus 25 anos perambulando pelas redações deste Brasil.

    Um poeta.
    Um querido.

    Um amigo que tive o privilégio de fazer nesta Band.
    Talvez o melhor legado dela em minha vida.

    Ao ler seu texto me veio tantas lembranças boas que só mesmo o bom e velho Cléo pode nos dar.

    Obrigado Sergio por trazer-nos de volta, ainda que virtualmente, um pouco da doce serenidade do grande Cleozinho.

    abs
    Marcos Freitas


    musicaefefc.blogspot.com

    Aproveito para usar esse espaço para reproduzir uma de inumeras cartas que troquei com Cleozinho durante o tempo em que dividimos a redação aqui na Band:



    Cléozinho

    Tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível diz o dito popular.

    Perceber isto durante os acontecimentos é maravilhoso.

    Convier contigo é realmente uma dádiva. Estar frente a frente à sua afável face durante a jornada de trabalho é um privilégio divino, bem eu sei.

    Tua sapiência me encanta. Tuas histórias me ensinam.


    Mas como escreveu Manuel Bandeira a Mario de Andrade, nossa é amizade é, sobre tudo, de ordem Moral.

    Tenha uma ótima tarde e obrigado.
    MF

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